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Introdução à filosofia PDF Imprimir E-mail
Por Guilherme Paiva de Carvalho   
25 de abril de 2006
Quando se fala em filosofia logo nos vêm a mente aqueles assuntos sem qualquer relação com a vida prática.
      Quando se fala em filosofia logo nos vêm a mente aqueles assuntos sem qualquer relação com a vida prática. Todo mundo diz por aí que os filósofos são loucos, pois buscam explicações sobre a vida, os fenômenos, o homem, a política, a arte, entre outros temas. Vemos também que existem ciências que tratam destes mesmos temas, como a biologia, a física, a antropologia, as ciências políticas e a estética. Entretanto, poderíamos apontar uma diferença básica entre a filosofia e a ciência: enquanto a ciência tem que comprovar suas hipóteses através de cálculos matemáticos, quadros estatísticos ou probabilidades, a filosofia constitui-se como discussão, debate e crítica. Filosofar não é devagar sobre assuntos sem nexo com a realidade, mas ao contrário, refletir sobre a realidade que nos cerca em todos os seus aspectos.
      Mas em que sentido a filosofia pode ser útil para nossas vidas? Qual a utilidade prática da filosofia? É uma questão um pouco complicada. Alguns acham que a filosofia não tem nenhuma utilidade na vida prática. Outros consideram que a filosofia é uma postura de vida. Alguns cristãos seguem o cristianismo, ou seja, adotam o cristianismo como uma postura de vida. Os mulçumanos também adotam um tipo de postura filosófica diante da vida, agindo de acordo com preceitos. O cristianismo é um tipo de filosofia de vida, assim como o islamismo, o hinduísmo, ou o budismo.
      Nos deparamos com ciências como a biologia e não sabemos quando estas surgiram. Em que momento da história surgiram ciências como a fisiologia, a anatomia ou a filologia? Quando apareceu no Ocidente a noção de Estado de Direito? É através da epistemologia que a filosofia retoma a história das ciências.
      Desde criança recebemos de nossos pais conselhos de como deveríamos nos comportar diante de determinada situação. Estes conselhos são princípios de conduta, valores morais que nossos pais aprenderam de nossos avôs ou com o convívio social. A axiologia se constitui como teoria dos valores morais, abordando filosoficamente as questões éticas e a cultura.
      Platão definia o conceito de filosofia no Eutidemo como domínio do conhecimento e uso do saber em benefício do homem (Abbagnano - 2000). Esta posição foi sustentada por filósofos como Descartes, Hobbes e Kant. Nietzsche concebeu a filosofia como "crítica dos valores" através de análises históricas sobre a origem e o desenvolvimento das instituições, dos costumes, das crenças e dos conceitos. Podemos visualizar a filosofia, assim, como análise crítica sobre as manifestações culturais, a arte, as religiões, o bem público, as formas de governo, a burocracia, nossas instituições sociais, a exploração do trabalho, a liberdade, ou sobre os valores e as crenças que herdamos de outras gerações.
      No entanto, nem sempre a filosofia é utilizada em benefício do homem. Como bem demonstra a história da humanidade, o conhecimento pode ser utilizado para exercer um domínio sobre grupos de indivíduos. É necessário discutir se o uso do conhecimento para estabelecer relações de domínio pode ser considerado como filosofia. No mundo globalizado não há mais como sustentar a crença em valores universais. Recairíamos em um etnocentrismo irracional se insistíssemos em acreditar que nossos valores são os únicos válidos. Nesta perspectiva, fica até difícil definir o que é racional ou o que é irracional, levando em consideração o ceticismo radical. Há a necessidade de um retorno à filosofia para refletir sobre conceitos, crenças e instituições.
      Num mundo em que o progresso da técnica foi delineado de acordo com interesses econômicos e políticos, o conhecimento científico e as formas de pensamento adquiriram relevância significativa. Discussões sobre conceitos como racionalidade e irracionalidade são irrelevantes na medida em que a vida no planeta está ameaçada, seja pela degradação do meio ambiente e destruição da camada de ozônio, seja pela miséria, a qual leva consigo ¼ da população mundial a um estado de degeneração. Por outro lado, a ciência, através do projeto genoma, vem criando novos tipos de seres, modificando a definição de procriação. Como se sentirão os clones futuramente, sabendo que são como simulacros sem pai nem mãe? A ética é uma discussão filosófica que envolve o meio ambiente, a clonagem e o desenvolvimento da técnica entre outros temas.
      Olhando para história da humanidade fica muito difícil acreditar que a racionalidade e o conhecimento científico sempre serviram para beneficiar o homem, tendo em vista que a ciência não quer nem ouvir falar em discussões sobre o homem. Foi através do desenvolvimento da racionalidade e do conhecimento científico que o homem alcançou o patamar de Deus como criador. Mas o homem é um deus destruidor do seu próprio habitat; ele é um animal relativamente fraco diante de elefantes, tigres e cães selvagens, entretanto utiliza a inteligência para expandir seus domínios, destruindo tudo em sua volta. Quem dera se esta fosse apenas uma história de ficção científica, mas não é. A destruição do planeta é a dura realidade que enfrentamos atualmente. Esta é a herança das próximas gerações que habitarão este planeta que o homem destrói aos poucos. É claro que as teorias filosóficas não são a causa de todo o mal que existe na terra. Será necessário refletir sobre as teorias para confrontá-las com a realidade.
      Se em tempos remotos o espanto fez Aristóteles filosofar, hoje o desespero nos leva a indagar por um pensamento que conduza o destino das futuras gerações para uma realidade melhor. Ou talvez não haja tal possibilidade e os seres humanos estarão fadados à extinção. Se os ideais elitistas do progresso da técnica, a custo da degradação e destruição do planeta, prevalecerem será apenas mais uma vitória daqueles que ditaram as normas até agora, impondo seu modo de pensar, ou aquilo não queremos chamar de filosofia.
      A filosofia é crítica do conhecimento, envolvendo discussões sobre a arte, a ciência, a cultura e a religião. Por isto se subdivide em estética, teoria do conhecimento (ou epistemologia) e ética (axiologia enquanto teoria dos valores). A democratização do conhecimento é necessária para tornar os indivíduos mais esclarecidos sobre a realidade que os cercam. A filosofia é um modo de tornar o esclarecimento possível através da crítica.

Última Atualização ( 27 de abril de 2006 )
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